Sobre a Compulsão alimentar

Vou reescrever para você hoje uma matéria sobre compulsão alimentar e mostrar alguns dos disturbios mais comuns na nossa alimentação, espero que vocês gostem!

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Revista Gloss – edição de Julho/2013

Por Silvia Amélia de Araujo e produção de Fabiana Neves

No começo do ano, acordei uma madrugada com dores fortes no estômago que se espalhavam por todo o meu tórax e abdômen, “Estou morrendo!”, pensei. Igual ao meu pai, que ainda jovem, acordou com um infarto fulminante. Fui para o hospital de ambulância. E descobri que a causa do meu mal-estar era bem simples: eu comi demais. Pelo que me lembro, foram uma bandeja de comida japonesa, um pastel frito, um brigadeirão, um quindim, três pedaços de pizza, mais de um litro e meio de coca-cola… em 2hrs! Tinha ido dormir com ânsia de vômito, como em tantas vezes. Mas dessa vez a vergonha de estar no hospital por não saber a hora de parar fez me refletir que algo não ia bem. Pesquisando, descobri que esses ataques de comer sem controle têm um nome:  o transtorno da compulsão alimentar periódica (TCAP) é uma doença que só neste ano foi catalogada de forma definitiva pela Associação Psiquiatríca Americana.

A pessoa com TCAP come um volume de comida absurdo em um curto período de tempo, ao menos duas vezes por semana. Estima-se que 1,5% da população sofra disso, e os sintomas surgem geralmente entre os 20 ~30 anos. “São os anos em que estamos expostos a situações mais estressantes se comparados a outras épocas da vida, como a formatura, busca pelo mercado de trabalho, casamento, filhos…”, diz o psiquiatra Alexandre Pinto de Azevedo. “O estresse, em uma pessoa geneticamente predisposta é um possivel gatilho dos sintomas.” Além da herança genética, também podem estar relacionados à causa do TCAP a alimentação da mãe quando grávida, hábitos alimentares da familia e outras doenças psicológicas, como transtorno bipolar e depressão. As consequências do comer compulsivo são baixa autoestima (você sente nojo de si mesma), problemas gástricos, alterações dos níveis de glicose e colesterol e, obviamente, obesidade.

 

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Distúrbios Alimentares

Os transtornos alimentares caracterizam-se por uma grave perturbação do comportamento alimentar. Eles podem ter um início gradual e os sintomas podem permanecer estáveis durante muitos anos; entretanto, há várias circunstância em que os sintomas se avolumam até um estado de crise. Uma “crise” foi definida por Gilliland e James (1993) como a percepção de um acontecimento ou situação como uma dificuldade intolerável que excede os recursos e os mecanismos de enfrentamento da pessoa. Os pacientes que sofrem de distúrbio alimentar podem experimentar uma crise vinculada basicamente a uma exacerbação dos sintomas físicos, perturbação psicológica, angustia interpessoal ou alguma combinação dessas áreas do funcionamento. O paciente com distúrbios alimentares quase sempre experimenta tanta culpa no que diz respeito à alimentação que a própria decisão de inibir os sintomas na busca da recuperação desperta uma ansiedade marcante, com uma deterioração psicológica geral. Durante essas crises emocionais, a pessoa pode estar sob alto risco de autodestruição, mas pode também experimentar uma maior motivação para procurar tratamento ou se comprometer com ele. Uma crise pode ser precipitada pela deterioração de relacionamentos interpessoais significativos ( por exemplo, pais ou outros familiares, cônjuge ou parceiro, professor ou patrão). Esta deterioração pode envolver a descoberta ou o reconhecimento de que o paciente tem um distúrbio alimentar.

Anorexia é o comportamento de recusa da pessoa em se alimentar, por se considerar gorda, apesar de estar bem abaixo (cerca de 15%) do peso considerado adequado à sua idade e altura. Esta recusa está associada a um medo intenso de ganhar peso. Apresentam um distúrbio da imagem corporal que faz com que se percebam como mais gordos do que realmente são. Esse distúrbio não diminui com a perda de peso, fazendo com que o anorético continue insatisfeito com sua aparência apesar do emagrecimento, fixando metas de peso em níveis cada vez mais baixos e podendo utilizar métodos de controle de peso cada vez mais extremos.

Bulimia se caracteriza por episódios recorrentes de comer grandes quantidades de comida em um curto período de tempo (orgias alimentares), seguidos pelo uso de estratégias inadequadas de evitar o aumento de peso como auto-indução do vômito, uso de laxantes e diuréticos e prática de exercícios vigorosos (comportamentos compensatórios). O ataque é tipicamente desencadeado por estados de humor disfóricos, estados ansiosos e fome intensa. Ele pode proporcionar distração de pensamentos desagradáveis; pode reduzir sentimentos de tédio, solidão e tristeza (sendo uma forma de se dar prazer, mesmo que de curta duração) ou pode proporcionar alívio do rigor e monotonia da dieta rígida.

Distúrbio do Comer Compulsivo se assemelha à Bulimia no que se refere à presença das orgias alimentares, mas se diferencia da mesma por não apresentar os comportamentos compensatórios. Apesar do grande desconforto gerado por estes ataques, não há uso regular de vômito ou abuso de exercícios, laxantes e diuréticos. Durante os ataques, também privilegiam alimentos evitados quando em dieta, experimentam diminuição do controle sobre o comportamento alimentares mesmo sem fome, só param de comer quando se sentem desconfortavelmente “empanturrados”. Embora eventualmente façam dieta, em sua maioria apresentam obesidade de moderada à grave.

Esses distúrbios apresentam aspectos comuns em diversos níveis de análise do comportamento da pessoa. E eles são os seguintes:

Comportamento Alimentar: o comportamento de comer não atende a uma necessidade fisiológica de se alimentar, mas ocorre em virtude de uma sensação desagradável associada à Ansiedade ou a Depressão, geralmente ele é descrito como um vazio e confundido com a sensação de fome.

Pensamento: apresenta dificuldade em reconhecer sinais de fome e saciedade, pensamentos constantes sobre comida e aparência física são constantes e geram desprazer ou insatisfação com a auto-imagem.

Relações Sociais: apresenta sentimento de rejeição, imagina que está constantemente sendo observado pelas pessoas. Em virtude da grande dificuldade de comunicar sentimentos e pensamentos, não consegue lidar com situações sociais de uma forma satisfatoria. Não sabe administrar críticas, frustrações e desapontamentos e foge dos confrontos e auto- exposição. Isso leva a pessoa a evitar convívio social, ou evitar lugares publicos com muito movimento de pessoas, o que acaba tornando sua vida solitária.

.Para completar, as pessoas com distúrbios alimentares apresentam histórias familiares onde são comuns os seguintes aspectos: superproteção, rigidez de valores, grande ênfase em modelos estéticos que enfatizam a magreza como único modelo aceitável de beleza.

BIBLIOGRAFIA

FREEMAN, A. e DATTILIO F. M. Estratégias Cognitivo Comportamentais para Intervenção em Crise Editorial Psy, 1995, S.P.

RANGÉ BERNARD, Psicoterapia Comportamental e Cognitiva de Transtornos Psiquiátricos, Editorial Psy 1998, S.P.

FREEMAN, A. e DATTILIO F. M. Compreendendo a Terapia Cognitiva, Editorial Psy, 1998 S.P.

Autora – Arlete de Godoy Mesiano

Fonte: http://www.neuropsi.psc.br/distalim.html

 

Sobre a psicopatia infantil

Olá navegantes, professores/as, amigos/as!🙂

Como este é o primeiro post, resolvi de cara mostrar a vocês um tema que anda sendo muito discutido no último mês pelo acontecimento lastimoso do menino Marcelo Pesseguini (que supostamente alvejou a família com tiros e em seguida, se suicidou) : a psicopatia infantil.

para entender a psicopatia, clique aqui -> http://moedeiro.blogspot.com.br/2013/02/psicopatia-infantil-sintomas.html

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Para falar disso, trago um pouco da postagem do blog http://oaprendizverde.com.br sobre o nosso post de hoje, a menina Beth Thomas.

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O documentário exibido na rede HBO em 1992  (Child of Rage) foi compilado a partir de fitas gravadas do Dr. Ken Magid, um psicólogo clínico especializado no tratamento de crianças severamente abusadas. O início do documentário, que pode ser visto no fim do post, é arrepiante e mostra o quanto a linda garotinha estava perturbada:

Dr. Ken: “As pessoas tem medo de voce Beth?”

Beth: “Sim.”

Dr. Ken: “Seus pais tem medo de você?”

Beth: “Sim.”

Dr. Ken: “O que você faria com eles?”

Beth: “Esfaquearia.”

Dr. Ken: “O que você faria com seu irmão?”

Beth: “O mataria”

Dr. Ken: “Em quem você gostaria de enfiar alfinetes?”

Beth: “Na mamãe e no papai”

Dr. Ken: “O que você gostaria que acontecessem com eles?”

Beth: “Que eles morressem”

A mãe de Beth morreu quando ela tinha 1 ano de idade e ela e seu irmão Jonathan foram deixados com o pai. O sádico pai abusou sexualmente de Beth durante os 7 meses seguintes até que os filhos foram tirados de suas mãos por assistentes sociais. Para se ter uma idéia, Jonathan que tinha 7 meses, tinha sua cabeça na parte de trás plana, fato ocasionado por ele ficar o tempo inteiro deitado de costas no berço. O casal de irmãos foram adotados por um casal que não podia ter filhos, mas nenhuma informação sobre os abusos foram passados para os pais adotivos.

No novo lar, Beth começou a ter pesadelos sobre um “homem que caia sobre ela e a machucava com uma parte dele.” Os pais adotivos começaram a desconfiar de que algo estava errado. Beth foi pega várias vezes com comportamento sexual desinibido  e avançado para sua pouca idade (se masturbava até sangrar, em público, etc) Beth começou também a torturar os animais de estimação da família. Enfiava agulhas nos animais e quebrou o pescoço de filhotes de pássaros. Ela também torturava o irmão Jonathan, dava agulhadas nele além de espancá-lo. Sua intenção era clara: Ela queria matá-lo. Muitas vezes ela expressou o desejo de matar a família inteira, incluindo seus pais.

No documentário Beth descreve o abuso que sofreu do seu pai biológico da mesma forma como descreve como molestou seu irmão, fria e calma. Talvez, o aspecto mais perturbador do comportamento de Beth seja a completa falta de remorso e preocupação por suas ações. Durante todo o tempo ela estava consciente de que suas ações eram erradas e dolorosas, mas isso simplesmente não importava para ela. Após os vários incidentes com Beth, seus pais adotivos a levaram a um terapeuta que diagnosticou Beth como sendo um caso grave de “Transtorno de Apego Reativo”. O Transtorno de Apego Reativo é caracterizado pelo desenvolvimento de formas perturbadas e inadequadas de estabelecer relacionamentos, geralmente por causa de uma história de maus tratos. A característica principal do Transtorno de Apego Reativo é uma ligação social perturbada e inadequada, com início aos 5 anos de idade e associada ao recebimento de cuidados amplamente patológicos.

A condição de Beth envolve a completa incapacidade de se relacionar com qualquer ser humano e uma completa falta de empatia, características presentes na psicopatia e sociopatia. Entretanto, essa definição (psicopata) não foi dada em Beth pois na época o termo não podia ser utilizado como diagnóstico em pessoas com menos de 18 anos. Na verdade até hoje existe uma grande discussão em torno do diagnóstico de psicopatia em crianças. Como eu escrevi no último post, existem especialistas que dizem que sim, a psicopatia pode ser diagnosticada em crianças e já a partir dos 3 anos de idade. Já outros são mais reticentes e afirmam que não, uma criança não tem sua personalidade completamente formada, por isso o diagnostico de psicopatia não pode ser dado a crianças.

Psicopata ou não, o comportamento de Beth era tão perverso que em abril de 1989 ela foi tirada de sua casa e internada para tratamento intensivo. Ela foi internada em uma casa especial de tratamento de crianças com transtorno severo de comportamento.

O tratamento imposto a Beth na casa foi bastante rígido e cheio de regras, algo horrível para uma criança como ela que certamente não respeita e não gosta de regras. À noite ela era trancada no quarto para que ela não pudesse sair e ferir outras crianças. Ela deveria pedir permissão para tudo. Desde a ida ao banheiro para fazer xixi até para beber água. Ao longo do tempo estas restrições foram sendo tiradas e o comportamento de Beth parece ter melhorado.

O documentário termina com a aparente recuperação de Beth. Mas não se enganem, eu não engoli totalmente o final do filme. Não estaria a pequena Beth manipulando seus terapeutas? Não teria os próprios terapeutas mascarado o comportamento de Beth? No fim do documentário Beth chora ao escutar uma pergunta sobre abuso. Para mim o seu choro sem lágrimas diz muita coisa. Bom, é a minha impressão.

Quanto a Beth, ela cresceu e formou-se em enfermagem (cuidado garotasssss) e, aparentemente, vive uma vida normal. Viver uma vida normal, porém, não quer dizer que ela deixou de ter um transtorno antissocial. Não estou dizendo que ela é uma psicopata, mas sabemos que a maioria dos psicopatas não matam. Psicopatas são (frequentemente) educados e possuem empregos estáveis. Alguns são tão bons em manipular, que formam famílias e relacionamentos de longo prazo com outras pessoas, sem que elas suspeitem de absolutamente nada.

 

http://www.youtube.com/watch?v=8Bp-cgUQpbk#t=114